Discurso formatura 3º Curso de Formação de Docentes 2016

Discurso formatura 3º Curso de Formação de Docentes 2016

Mais do que justo abrir um espaço neste blog para um momento especial em minha vida. (O site é meu e eu escrevo o que eu quiser.)

Fui o professor homenageado Paraninfo de uma turma de magistério. Há várias razões para celebrar tal momento, uma delas é, ver que aquelas alunas agora são minhas colegas de profissão. Outra razão é, no mínimo curiosa: um professor de Sociologia ser o ESCOLHIDO (com o perdão do uso do Caps Lock) Paraninfo. Posso me achar, não?

Enfim, aqui fica minha pequena forma de agradecer para essas meninas que marcaram minha vida:

Bianca, Carla, Drielly, Eduarda, Emmanuelly, Franciele, Hellen, Giulia, Isabela, Itani e Pietra.

 

‘Senhora Diretora, Irmã Edites Bet, em nome de quem cumprimento os demais professores que aqui estão. Senhoras e senhores, senhores pais, caríssimas formandas:

Boa noite!

Em um sábado pontagrossensse qualquer, com uma sensação térmica desértica possibilitando fritar um ovo em pleno asfalto, um senhor, vendedor de picolé passa na rua. Logo, paro-o e lhe peço alguns picolés de fruta para uma doce degustação pós almoço de sábado. Ao perceber aquele simpático sorriso voltado para mim, perguntei-lhe como não desmaiava com aquele calor.

Ele me deu uma resposta que talvez não encontraria na mais fina filosofia:

‘Meu filho, quando a vida pede, nós precisamos responder de alguma forma.’

Da família para a escola,  a educação é algo que sempre fará perguntas e pedirá respostas ao mesmo tempo. Por que ensinar? Por que educar? Por que ter paciência? Por que recortar esse EVA se a criança vai estragar? Por que amar ao próximo?

Parafraseando o professor Leandro Karnal, nós não plantamos mudas de Eucalipto, que, em quatro anos estão prontas belas e formadas. Nós plantamos Carvalhos, que levam uma vida para florescer.

Vou brevemente, lembrar uma história que TALVEZ vocês conheçam.

O maior modelo de educador foi Jesus. Jesus tinha 12 alunos, vocês terão 30, 40. Jesus tinha como aluno adultos e vocês terão crianças. Jesus tinha a escola em turno integral (manhã, tarde e noite), fazia atividades lúdicas melhor do que ninguém (na aula de física andava  sobre água, em química transformava a água em vinho, em biologia curava os enfermos). Jesus falava com a autoridade de Deus. E mesmo assim, depois de três anos de curso intensivo, o chefe da turma Pedro disse que Jesus nunca tinha dado aula e negou três vezes que a matéria foi dada. O tesoureiro da turma vendeu o professor pra diretoria, dizendo que o professor não era bom. Os outros nove alunos fugiram e apenas um (João), foi até a cruz e não pôde fazer nada para ajudar o professor. Assim terminou a mais linda AULA da nossa história.

Esse professor amou até o fim, sem esperar nada em troca.

‘Um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos a sorrir. Caneta e papel na sua mão. Tarefa escolar para cumprir. E perguntou no meio de um sorriso, O QUE É PRECISO PARA SER FELIZ?’

Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou e viver como Jesus viveu. Peço licença ao Padre Zezinho, autor dessa canção e digo que para ser feliz, também é preciso educar como Jesus educou.

Talvez, nenhum daqueles que vocês leram durante esses três anos, pedagogos, filósofos, sociólogos, todos presentes no “monte Olimpo do saber”, derrubariam a resposta daquele humilde sorveteiro que derrete sua pele no sol, mas que jamais deixaria derreter seu sorvete. Não deixem que derretam o seu sorvete, meninas.

A educação, instrução sempre almeja o sorveteiro, o quilombola, o indígena, a mulher, a criança, o aluno. Saindo de uma lógica progressa e ordenada, encontra-se no oprimido o amor pela vida e não pelo dinheiro. E isso, é inadmissível para aqueles que pensam antes no fabricante de sorvetes, e lembram-se do sorveteiro apenas quando ele vira estatística no jornal.

Por isso estaremos à margem, sempre à margem. Marginais: à margem da sociedade. Mas aí cabe a pergunta: o que seria do trajeto de um rio sem a sua margem?

A partir dessa noite, vocês são professoras. São a margem que orienta para qual lado o rio deve seguir, sabendo que muitas vezes aparecerão mineradoras que irão barrá-las, com o propósito de afogar a margem, contaminando aquela água que antes era clara e cristalina. Um dia essa barreira se rompe, e será tarde, pois o rio estará doente.

Hoje vocês não são mais a semente que vai crescendo até frutificar. Hoje vocês são sementes que frutificaram, que não temem o futuro, e que sabem que a vida apronta até demais.

Às famílias, que sempre são nossa margem, saibam que elas estão aqui por por vocês. Buscando guiar suas águas, assim como vocês as guiaram.

Aos professores, que aqui represento, que da melhor maneira possível, alertaram que o rio está poluído, mas que a margem deve estar ali, muitas vezes sufocada, porém, impedindo aquelas águas de transbordarem.

À vocês meninas, mesmo que muitas vezes o solo esteja desgastado, não esqueçam que o que segura uma margem é a união do solo e da raiz de uma planta. Cada uma tem sua função, sua forma de ser, porém, separadas não farão sentido algum.

Enfim, com a consciência da profissão que escolheram e de todas as dificuldades e vitórias que tiveram e terão daqui em diante, nunca esqueçam  do sorveteiro, que da maneira mais simples busca responder a vida sabiamente:

‘quando a vida pede, nós precisamos responder de alguma forma.’

E respondam, SEM DESISTIR, pois, como diz São João Bosco:

‘Eu não disse que seria fácil, mas eu disse que valeria a pena.’

Obrigado.”

 

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