O Demolidor, o Justiceiro e os Direitos Humanos no Brasil

O Demolidor, o Justiceiro e os Direitos Humanos no Brasil

Se há algum personagem controverso nos quadrinhos, este é Matt Murduck (Demolidor). Busca a justiça sempre com temor a Deus já que é, um católico praticante. Acredita na justiça divina, na justiça dos homens (lei) e por achá-la insuficiente, busca contribuir com as próprias mãos. Por esse motivo, consulta a palavra do padre antes ou depois de alguma ação direta contra o crime. Não mata.

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Já Frank Castle (Justiceiro) vê a justiça com outro sabor, diferente de Murdock. “O Justiceiro” surgiu nos quadrinhos como vilão, inimigo do Homem Aranha. Devido ao fato de ser bem acolhido pelo público, a Marvel resolveu torná-lo protagonista. Passou a ser herói, combater o crime. Na recente série da Netflix, aparece como um anti-herói. Entende a justiça como sinônimo de vingança, já que sua família morreu em meio a uma troca de tiros entre gangues rivais. Castle busca a justiça matando cada integrante dessas gangues, procurando o responsável pela morte de sua família.

“Com você eles se levantam, comigo eles ficam no chão.” – Disse o Justiceiro ao Demolidor.background-1

A discussão dos direitos humanos é evidenciada em vários diálogos entre esses personagens. Muito semelhante às discussões penalistas no Brasil, hoje. Afinal, matar ou não matar? Deve haver pena de morte? Todo civil pode andar com uma arma de fogo? Discussões muitas vezes respondidas de forma rasa pela mídia, especialmente, por programas policiais (apesar de, até a Ana Maria Braga expressar opiniões sobre o tema).

Tirar uma vida por vingança tende a ser um caminho mais fácil. A vingança é anti-cristã e, por isso o Demolidor não aceita. Tirar a vida de alguém, julga ele, cabe apenas a Deus. O Justiceiro, acredita que não há salvação para seus inimigos, mata-os sem pensar duas vezes. Não acredita na justiça divina, nem na lei.

Em nossa sociedade, há uma mistura entre essas duas personalidades. Há cristãos que andam na contramão de suas crenças e, não acreditam no “amor ao próximo” mas sim, na pena de morte.

O Brasil tem a 4ª maior população carcerária do mundo. Quase 90% preenchida por jovens, negros e pobres. Certo dia, disse um apresentador de TV: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”. Quem são esses humanos direitos? Na contramão das estatísticas, os “humanos direitos” só podem ser homens com maturidade, brancos e ricos.

O brasileiro é, em seu tipo ideal, Demolidor e Justiceiro ao mesmo tempo. Controverso em sua formação, um cristão que não ama o próximo.

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